Monday, November 2, 2009

Imparcialidade Jornalística: Como?

As eleições Moçambicanas de 2009 foram também, marcadas pela qualidade da cobertura jornalística dos media nacionais. Este ano, mais do que nunca, os órgãos de informação moçambicanos esforçaram-se para mostrar ao publico o que se estava a passar no terreno.

A azáfama era tanta, que muitos se esqueceram das regras básicas que regem esta profissão, principalmente quando se fala de Cobertura Eleitoral. E duas dessas regras são do conhecimento de todos:

  • Imparcialidade aliada a capacidade de gerir emoções (felicidade, raiva, excitação, tristeza, etc).
  • Promover acesso a informação para todos os cidadãos, independentemente da raça, etnia...e côr partidária.
Confesso que em alguns momentos, senti pena dos apoiantes e simpatizantes de certos partidos políticos, que eram ‘forçados’ a assistir, escutar e ler informação que pouco ou nada reflectia as sua convicções políticas.

Até hoje não percebi porque é que para alguns órgãos de informação só era importante o que a Frelimo, Renamo e MDM faziam...mesmo sabendo que para este escrutínio concorreram quase duas dezenas de formações políticas.

Também não percebi porque é que alguns repórteres, mesmo depois de terem sido aconselhados a não faze-lo, continuavam a usar expressões que exaltavam a uns e humilhavam a outros intervenientes neste processo.

Não sou apologista da perfeição humana. É escusado dizer aqui, que como seres humanos, os jornalistas têm a fraqueza de se deixarem dominar pelas emoções. Entretanto, é importante recordar que para evitar constrangimentos, recomenda-se que em épocas eleitoras, os mais apaixonados, se abstenham de fazer a cobertura e se dediquem somente a campanha.

Também não sou defensora da imparcialidade jornalística. Alias, acho que é que uma utopia acreditar num cenário em que todos (ou a maioria) dos jornalistas seja imparciais.

Para mim, o jornalista não é imparcial nem na cobertura dos mais simples factos. A imparcialidade deixa de existir a partir do momento em que ao decidir escrever um artigo, o jornalista elege a fonte que acredita ser a melhor para determinado ângulo, que ele (mais uma vez) acredita ser o mais correcto. Depois vem a fase da escrita, em que mais uma vez, é o jornalista que escolhe o lead (o que/ quando/onde/como/porque) e a ordem de colocação dos factos. Ao leitor/espectador/ouvinte caberá a tarefa de receber o produto final, totalmente ‘embebido’ da tal ‘imparcialidade’ do jornalista.

Alguém dizia: “O jornalismo é a arte de informar e transformar. É a batalha pela conquista de mentes e corações”. Concordo plenamente, desde que fique claro, no inicio dessa batalha, a que lado se pertence.

O que não vale, é um jornalista/órgão de informação que se declare imparcial, apareça a conduzir reportagens/entrevistas cheias de ideologia e juízos opinião. Isso de certeza, não é profissionalismo...muito menos isenção ou imparcialidade!

7 comments:

Reflectindo said...

Penso que os jornalistas têm muito por fazer, sobretudo, quando se trata de cobrir eleicões que são muito sensíveis. A questão de equilíbrio é séria. Tanto no jornalismo como em qualquer profissão deve-se fazer um esforco para separar trabalho das simpatias. Dizes bem que quem não aguenta separar, devia escolher em que quer mais. Acho que ir à campanha fica melhor que usar meios da comunicacão indevidamente para fins partidários.
Mas o que não sei é como obrigar aos profissionais a serem sérios. Será possível se não se toma medida a quem viola o código de conduta?

zenaida said...

Ola Reflectindo,

Bem vindo...

Para mim o grande problema não eh o código de conduta. Ele existe. Porque nao eh aplicado `a risca ...isso nao te posso/sei responder.

O meu problema eh a hipocrisia de alguns repórteres/medias que se dizem independentes e entretanto, no decorrer da sua actividade nao são capazes de provar essa independência...

O que muitos nao percebem eh que orgao privado nao signica imparcialidade...da mesma forma que orgao publico tambem não significa 'parcialidade'...e vice versa. claro...

Obed L. Khan said...

Amiga Zenaida, esta é a primeira vez que venho ao teu blog. Gostei.

Para mim, os jornalistas não são obrigados a serem imparciais. Mas, para merecerem o nome de jornalistas, deveriam apresentar os factos com objectividade. Que cada um os interpretasse como quisesse. Mas os factos estariam lá.

Não tenho visto isso em Moçambique. Os pensadores moçambicanos tem uma caracteristica estranha (isso é extensivo aos bloguistas). Seleccionam os factos que lhes agradam e escamoteam os que não lhes agradam. Com isso constroem uma determinada realidade. Que há-de ser obviamente falsa, porque enviesada.

Para ler correctamente o país deveríamos dispor dos factos com o mínimo de objectividade.

É por isso que vimos, mesmo nos blogs, "Pesquisas de Opinião" que davam vitória ao MDM e a Daviz Simango. Naturalmente que isso não era sondagem nenhuma. Era a projecção dos desejos desses "pensadores".

Por isso, cara amiga, deveríamos lutar para que os que possuem dados nos apresentassem todos, sem escamotear alguns. Isso se chama objectividade.

Obed L. Khan

zenaida said...

Ola Obed

Obrigada pela visita. Aparece mais vezes neste este blog que infelizmente, só eh actualizado quando a dona tem um tempinho vago...

Eu nao tenho nada contra o que cada um escreve no seu blog. Alias, sou defensora de que cada um deve escrever o que lhe apetece no seu blog... já ate vi blogs dedicados a pornografia...e outros dedicados a falar mal de outras pessoas...

Grave para mim, eh quando jornalistas usam órgãos de informação públicos e privados ( que para mim já não se diferenciam muito uns dos outros) que defendem imparcialidade e respeito a todas ideias, para expor os seus ideais políticos e intoxicarem ao publico com as sua ideologias...

Quem não sabe fingir imparcialidade e ser objectivo e factual, então que abra um blog que coloque la os seus pensamentos...

Aderito Magumane said...

Imparcialidade jornalística: como?

Bom eu começo por assumir que quem faz o jornalismo, o jornalista é um membro da sociedade em que se encontra inserido, e, o seu trabalho resume-se basicamente em reportar factos que ocorrem dentro dessa mesma sociedade, ora por causa disto e aliado à imperfeição humana que tu referes percebe-se como será difícil a um jornalista ser perfeitamente imparcial!
Imparcialidade como tal, é um IDEAL, muito difícil de ser alacançado pelo Homem, porque IMPERFEITO! Mas mesmo assim há que evitar casos FLAGRANTES de imparcialidade. Há Jornalistas que mesmo sabendo que devem respeitar o código de conduta em regime no seu sector (em que faz parte a imparcialidade), estes colocam a nú as suas simpatias por esta organização, partido, dirigente, etc...ora isto já não é devido à todas as razões que mencionei acima que concorrem para a imparcialidade, mas sim IRRESPONSABILIDADE, e falta de respeito aos consumidores dos seus trabalhos!
Todos nós somos IMPERFEITOS (inevitável),mas a IRRESPONSABILIDADE é evitável!

zenaida said...

Aderito

Ola!

Irresponsabilidade...e exectamente essa frase que faltou no meu texto...IRRESPONSABILIDADE

mãos said...

olha Zenaida,

Esta profissão tem seus altos e baixos... cabe tamb´m ao senso de cada um, tendo a conta a profissão para depois conseguir separar as tarefas...isto me faz recorrer chamada equipe de "graxa" tentam tudo por tudo mesmo sabendo que estãoa sair dos eu circulo, querem ter pontos aqui e ali...entao a questao esta em saltar as suas fronteiras consoante ao que lhe rege e posteriormente a sua propria cnsciencia...não é fácil, mas a Luta continua...